Meditação

Segundo os ensinamentos da Medicina Chinesa
Meditação - Dra Lilian - Pediatria e Acupuntura

Meditação

“a cabeça deve estar fresca, o coração tranquilo  e o corpo pleno de energia.”

Na cabeça concentram-se os órgãos dos sentidos, razão pela qual é fundamental mantê-la fresca e serena, pois quando a mente está agitada com excesso de pensamentos, os olhos enxergam mas não vêem, os ouvidos escutam  mas não ouvem, os aromas não são percebidos, não saboreamos o que acabamos de comer  e não usufruímos da brisa que toca nossa pele.

Quando estamos inquietos e apressados, nos precipitamos, agimos por impulso e o resultado, na maioria das vezes, é desanimador por não conseguirmos expressar aquilo que realmente gostaríamos e o que temos de melhor no nosso coração.

A ansiedade nos leva sempre para o futuro com as preocupações e tensões, desejos e anseios, que geram estresse e consomem energia. É comum reviver o que nos aconteceu apegados a fatos (positivos ou não), coisas e pessoas que já não fazem mais parte da nossa vida.

 Nem o futuro nem o passado, o que precisamos mesmo é viver o presente e estar inteiramente nele, o que não é fácil.

 Existem caminhos que podem nos ajudar a experimentar a importância da verdadeira presença, um deles é a meditação.

A meditação é uma prática milenar desenvolvida ao longo do tempo por diversos povos e culturas, associada a diversas filosofias religiosas orientais e ocidentais, como um caminho para o auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal, consciência, tranquilidade  e bem-estar.

“Nós conhecemos o mundo externo de sensações e ações, mas do nosso mundo interior de pensamentos e sentimentos conhecemos muito pouco. O objetivo primordial da meditação é tornar-se consciente de sua vida interior e familiarizar-se com ela” afirma o grande mestre indiano Sri Nisargadatta Maharaj  (falecido na década de 1980) em seu livro I am that.

Para meditar não é necessário pertencer a uma determinada religião, crença ou filosofia, muito menos largar a sua religião, deixar de comer carne, parar de beber ou fumar,  ou deixar o que gosta de fazer.

Sabemos que é impossível deixar de pensar mesmo que queiramos, os pensamentos vêm e vão incessantemente.

 A mente pode ser nossa amiga quando inspira, encoraja e impulsiona, mas nossa pior inimiga ,quando faz julgamentos maldosos, cobranças gigantescas a nós e aos outros, quando nos faz sofrer por algo que não mais existe, quando constrói um castelo de ilusões, quando deixa o medo nos aprisionar.

Com a prática regular da meditação despertamos a consciência de que não somos os nossos pensamentos, a mente é somente uma parte de nós e com auxílio da respiração vamos ganhando pouco a pouco uma serenidade interior que influenciará no raciocínio, na compreensão, nas atitudes e na relação com tudo e todos ao nosso redor.

Quais são os benefícios da meditação?

Atualmente existem muitas pesquisas em Universidades americanas, na Inglaterra e também aqui no Brasil onde cientistas comprovam os benefícios da meditação na redução do estresse, depressão, ansiedade, hiperatividade, aumento da imunidade, atuação no sistema cardiovascular diminuindo a hipertensão, alívio das dores crônicas, insônia, melhora da concentração, etc.

 

Quando a meditação é contra-indicada?

Segundo Dr Roberto Cardoso, médico que pratica meditação há mais de 20 anos, organizador do Curso de Formação de Facilitadores de Meditação em Saúde, da Escola Paulista de Medicina,  pessoas com diagnóstico confirmado de esquizofrenia e em quadros depressivos muito graves (com necessidade de acompanhamento psiquiátrico constante, medicação específica ) podem ter  uma piora do quadro, sendo necessário buscar uma outra técnica mais adequada para cada caso.

Como meditar?

A minha intenção, neste momento, não é ensinar a meditar principalmente porque sou também uma aprendiz neste longo caminho, mas há algo precioso e fundamental  que podemos fazer inicialmente: prestar atenção na nossa respiração.

A respiração é o “ passaporte”  para esta vida:

RESPIRAR é a primeira coisa que o bebê faz para entrar neste mundo e a última coisa que vamos fazer antes de sair dele.

A respiração muda conforme o estado emocional, quando estamos ansiosos é mais rápida, superficial e curta, quando estamos calmos é profunda e lenta.

Faço uma sugestão: conte quantas vezes você respira durante 1 minuto sendo que consideramos a inspiração (quando o ar entra) e a expiração (quando o ar sai) como 1 respiração completa.

A frequência normal no estado de repouso é de 16 respirações por minuto. Caso você esteja muito acima deste valor, te convido a começar a respirar  profundamente, deixe o ar preencher completamente um espaço que é só seu – seus pulmões. Se você está respirando abaixo deste valor, persista e tente diminuir um pouco mais a frequência.

Procure observar-se nas várias situações do dia, veja como está se sentindo, pare e tente fazer pelo menos 6 respirações calmas e profundas concentrando-se no momento presente.

 Uma atitude simples como esta é capaz de fazer grandes mudanças na sua vida.

“Quem respira apressado não dura . Quem alarga os passos não caminha”.

                               Lao Tsé – Dao de Jing   cap.24

Mais sobre o assunto:

Livros:

  • “Medicina e meditação – um médico ensina a meditar” de Roberto Cardoso;
  • “ Psique e Medicina Tradicional Chinesa” de Helena Campiglia;
  • “ Para viver em paz – o milagre da mente alerta”  de Thich Nhat Hanh;
  • Jornal do Taoísmo n.19 – Mestre Wu Jyh Cherng – Sociedade Taoísta do Brasil.

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