Ouvir o corpo

Ouvir seu corpo - Dra Lilian - Pediatria e Acupuntura

Ouvir o corpo

Na última aula de Meditação, a professora Lúcia Brandão pediu para que prestássemos atenção à nossa verdadeira casa: o nosso corpo.

– Vocês estão confortáveis dentro dele?

Com os olhos fechados, tentando respirar lenta e profundamente, não é muito fácil responder a pergunta, principalmente se a mente ao invés de se aquietar e se aprofundar, quer ficar na superfície pulando de galho em galho feito um macaco, ora num pensamento, ora em outro, uma preocupação, uma conta a pagar, o que fazer para o almoço, etc.

Pode parecer estranho, mas muitas vezes estamos distantes do corpo.

Aliás, só o percebemos quando algo não vai bem: uma dor, uma tensão localizada, a barriga estufada, a digestão lenta, o intestino preso…  então reclamamos, brigamos o tempo todo com ele e o pior, com  olhar  de reprovação.

O espelho é o primeiro a ouvir as insatisfações: – Nossa, que barriga grande, preciso emagrecer! De onde veio esta celulite?  A flacidez, as rugas, as olheiras. O cabelo que não ajeita de modo algum.

O esquecimento, a memória ruim…

A imunidade baixa. O nariz escorrendo, coçando. Atchim! Será um resfriado ou uma crise de rinite? E se virar sinusite ou quem sabe uma pneumonia?

 O que dizer então da TPM? Duas semanas antes, grande irritabilidade ou uma vontade enorme de chorar por qualquer coisa, depois a dor de cabeça seguida de cólicas intensas. Sem contar na quantidade de chocolate que comeu de uma só vez. A menstruação que incomoda, dura uma semana, fazendo as contas: três semanas ruins e somente uma boa.  Algo está errado!

Mas, uma coisa é certa:

 O corpo tenta fazer o melhor com o que lhe oferecemos.

Se ao primeiro sinal de cansaço e indisposição, dor no corpo, o nariz começando a escorrer ou a garganta raspar, conseguirmos tomar uma canja (ou outra sopa feita com carinho) ou um chá quente com alho, gengibre ou hortelã e vamos para cama mais cedo descansar, acordaremos melhor. Se persistirmos ouvindo nossa morada que está frágil, carente de amor e atenção, tomaremos cuidado com a friagem (principalmente do ar condicionado), com o vento, nos agasalhando ou então protegendo o pescoço; respeitaremos o apetite, evitaremos bebidas geladas e nos pouparemos de tudo que nos faça mal. Ao eliminar todo o catarro, faremos uma verdadeira faxina.  Depois de alguns dias estaremos refeitos, com o sistema imunológico mais forte, afinal, deixamos todo o nosso exército de células de defesa trabalhar. O resfriado tem um período para se curar e é bem-vindo.

 É a coisa mais simples que o corpo faz para nos livrar das toxinas acumuladas.

Se ao nos sentirmos exaustos, tomarmos qualquer medicamento a fim de cortar o mal pela raiz e continuarmos no mesmo ritmo, estressados, sem descansar, nos atropelando com o dia a dia, dormindo tarde, acordando cedo, alimentando-se mal; talvez, ao invés do resfriado, venha uma gripe bem forte, pois só assim o corpo poderá fazer o que mais precisa: descansar.

Uma fisgada nas costas, um leve desconforto, o corpo vai avisando… não ouviu? Continuou sem prestar atenção? Será que você está inflexível, rígido em algum aspecto da sua vida? Anda brigando com alguém, nem que seja em pensamento? Perdoou? Foi fazer uma massagem para diminuir a tensão. Aliviou? Que bom. O corpo agradece feliz!

E se não se ouviu? Deixou-se para lá? Tomou um relaxante muscular por uns três dias, continuou trabalhando até tarde, para conseguir terminar um projeto. Adiou o cinema, o futebol, não está tendo tempo para si e nem para ninguém. No quarto dia, além do relaxante muscular, tomou um analgésico… Na ida para o trabalho, tropeçou na tartaruga da ciclovia. Foi mancando até a empresa. No almoço pediu qualquer coisa que comeu ali, sentado de frente para o computador. Final de expediente: sentiu-se péssimo, não conseguiu mais se levantar…

 Ligou querendo uma consulta urgente: com a taróloga. Afinal, deve ter um olho gordo na parada, pois o projeto, a que tanto se dedicou, não deu certo…

 E quanto à alimentação? Está comendo rápido demais?

Comeu algo que não teve forças para resistir mesmo tendo a certeza que depois iria passar mal?

Uma queimação no estômago, um gosto amargo na boca, se prometeu, pela vigésima vez, nunca mais fazer isso…

Vivemos assim, nos prometendo que iremos melhorar com a ilusão de que precisamos de mudanças radicais (que necessitam força de vontade, disciplina e, sobretudo, energia).

Lao Dze - Ouvir seu corpo - Dra Lilian - Pediatria e Acupuntura
Mas, acredite: se estamos vivos, não importa qual é a idade, sempre é tempo de mudar!

 Para começar, nada de atitudes drásticas as quais não teremos condições de manter e, portanto, nos frustrar.

Segundo Laozi, o grande filósofo que viveu na China no século VI a.C:

“Uma longa viagem começa com um único passo”

Que tal, ouvir o seu corpo e dar o primeiro passo?

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